Iniciação à fotografia

Este documento serve de apoio ao Workshop Intensivo de Cinema Digital
Nele encontram parte da teoria apresentada durante o módulo de fotografia.

Para mais informações, pf acedam ao site www.arte-digital.org/workshops

-----------------------------------------------------------------------------------------------

Princípios básicos

Documentos apresentados na formação:


Teoria apresentada nas aulas

Temperatura de cor:

Para medir essa temperatura usamos graus Kelvil (K).
Assim sendo, conforme aumentamos os graus Kelvin, a cor da luz emitida passa dos vermelhos e amarelos, nas temperaturas mais baixas, 2000/3000ºK, para os azuis, nas temperaturas mais elevadas, 9000ºK.

A luz do dia, que já vimos que pode assumir diferentes temperaturas de cor, conforme a estação do ano em que estamos ou até mesmo a hora do dia, está convencionado, que terá em média uma temperatura de cor que ronda os 5500ºK.

Por isso existem lâmpada calibradas para esse valores, com as lâmpadas do flash fotográficos.

grafico temperatura de cor

Imaginem uma chama. Esta chama é mais quente se for azul.
Exemplo: a chama de um maçarico (azul) é mais quente do que a chama de um fosforo (vermelha/amarela).

Observamos então que há uma contradição direta com a conotação que estas cores têm em que o vermelho é visto como “quente” e o azul como “frio”.

No caso de vídeos, a temperatura de cor é relevante para as condições em que vão ser feitas as filmagens. Para compensar / alterar a temperatura de cor podemos usar filtros nas lentes quando capturamos as imagens ou alterar posteriormente num computador (programas de pós-produção).

 

variação da temperatura da luz com o sol

temperatura de cor e luzes


Lei da compensação:

A quantidade de luz que atinge um filme no interior da câmara depende de uma combinação entre abertura do diafragma e tempo de exposição.

A quantidade de luz que alcança o filme depende da abertura e da velocidade de obturação;

Podemos fazer variar a velocidade de obturação (disparo) e a abertura (diafragma) Os efeitos produzidos são os seguintes:
O tamanho da abertura reflete directamente na profundidade de campo, ao passo que a velocidade determina a nitidez da imagem dos objetos em movimento. A exposição correta para as fotos decorre da combinação adequada entre velocidade e abertura.

1- A alta velocidade de obturação imobiliza os movimentos, mas a grande abertura do diafragma diminui a profundidade de campo.

2- Uma velocidade média imobiliza parcialmente o objeto a ser fotografado, enquanto que a abertura média aumenta a profundidade de campo.

3- Com a velocidade de obturação baixa o objeto fica borrado. A pequena abertura do diafragma garante uma grande profundidade de campo.

Então, para um mesmo valor ISO (sensibilidade à luz) podemos apresentar a seguinte tabela:

velocidade e abertura

Na fotografia, há três elementos que se relacionam entre si e afetam diretamente uma imagem. Eles são:

  1. ISO - a medida da sensibilidade do sensor à luz
  2. Abertura - a intensidade da luz que incidirá sobre o sensor
  3. Velocidade - o tempo que esta luz incidirá sobre o sensor

triangulo exposição - velocidade - iso

Qualquer alteração em um destes elementos irá impactar nos outros. Ou seja, você nunca pode isolar e dar atenção a somente um dos elementos, sempre deve alterar um pensando nos outros. A combinação deles determinará a exposição da imagem.

Para se decidir em qual elemento ajustar, é preciso ter em mente o tipo de efeito desejado:

 

Elemento Mais luz Menos luz Efeito
Velocidade Baixa velocidade Alta velocidade Velocidades mais lentas causam (arrastamento) motion blur, e velocidades mais rápidas congelam a acção
Abertura Grande abertura

(pequeno F/stop)

Pequena abertura

(grande F/stop)

Uma grande abertura produz uma pequena profundidade de campo (menor área em foco), e uma pequena abertura produz uma grande profundidade de campo (maior área em foco)
ISO Altos valores ISO

(800 ou maior)

Baixos valores ISO

(100 ou 200)

Quanto maior o ISO, mais sensível o sensor será à luz, permitindo velocidades mais rápidas, pequenas aberturas ou ambos, e é especialmente bom para situações de pouca luz. Porém, altos valores ISO resultam em imagens muito granuladas, reduzindo a qualidade final

Dominar a exposição é algo que envolve muita prática, e é preciso experimentar e tentar os mais variados ajustes e efeitos.

Por exemplo, quando aumentamos a velocidade, menos luz irá entrar, fazendo a imagem ficar sub-exposta. Então devemos compensar esta perda de luz aumentando a abertura ou aumentando o valor do ISO, de forma que a exposição final fique inalterada.

Para que você entenda melhor, compare a máquina fotofráfica a uma janela, com uma persiana que abre e fecha.

A abertura é o tamanho da janela. Quantos maior for, mais luz entrará na sala, e mais clara esta será.

A velocidade do obturador é o tempo que a persiana fica aberta. Quanto mais tempo ela permanecer aberta, mais luz entrará na sala.

Agora, imagine que você é o sensor da câmara, e que você está dentro desta sala usando óculos de sol. Por usar óculos de sol os seus olhos estarão menos sensíveis à luz que entra (neste caso, um baixo valor de ISO). Se tirar os óculos de sol (aumenta o ISO), a luz da sala vai parecer mais intensa e clara.

Fotômetro:

Algumas câmaras analógicas e todas as câmeras digitais possuem um recurso chamado fotômetro, que mede a quantidade e a intensidade da luz que entram pela objetiva. Ele tem uma indicação em uma escala de -2 a +2, que nos indica a exposição da imagem (sendo o 0 a exposição ideal). Trabalhando juntamente com ISO, velocidade do obturador e a abertura do diafragma, o fotômetro automaticamente altera o valor na escala assim que qualquer um destes fatores seja alterado.

Compensação da exposição:

Todos nós já verificamos que, em certas situações, a câmara não escolhe a exposição que nós pensamos ser a correcta e presenteia-nos com imagens demasiado escuras (sub-expostas) ou demasiado claras (sobre-expostas). 

Se estivermos a fotografar no modo manual, podemos corrigir a exposição alterando a velocidade do obturador, a abertura ou o ISO manualmente de forma a compensar o erro de medição. 
Se estivermos a usar um modo automático, como o ProgramaPrioridade à Velocidade ou Prioridade à Abertura, temos de recorrer à função de Compensação da Exposição (Exposure Compensation). 


Como funciona? 
O conceito é muito simples. Tiramos uma foto e verificamos no LCD da câmara se ficou com a exposição que pretendemos.
  • Caso tenha ficado sub-exposta compensamos positivamente (+EV).
  • Caso tenha ficado sobre-exposta compensamos negativamente (-EV).


Normalmente as câmaras permitem compensar a exposição entre -2EV e +2EV, sendo esta funcionalidade activada a partir de um botão parecido com este . Para saberes como utilizar esta função na tua câmara, aconselho-te a ler o manual de instruções porque o processo pode variar de modelo para modelo. 

compensação EV

Alguns casos típicos 

Contra-luz 

Exposição correcta, segundo a câmara. Nesta foto pretendia capturar um pouco mais do detalhe da estrutura. Para tal, fiz uma compensação da exposição de +1 EV.


Amanhecer ou anoitecer 
Exposição correcta, segundo a câmara. Esta foto foi tirada antes do nascer do sol e precisei de compensar a exposição com -2 EV para conseguir reproduzir as tonalidades que o céu apresentava no altura.


Motivos pretos/brancos (ou quase) 
Exposição correcta, segundo a câmara. Ao medir a luz na cabra, por esta ser preta, a câmara sugeriu uma exposição mais clara porque achou que estava escuro. Neste caso, foi preciso compensar a exposição com -2 EV. 
Pelo motivo inverso, se o motivo for branco, a câmara vai sugerir uma exposição mais escura e teremos de compensar com EV positivo.



Com a prática, vamos aprendendo a identificar estas situações e fazer a devida compensação mesmo antes de tirar a foto. No entanto, convém sempre dar uma olhadela ao LCD para nos assegurarmos que as fotografias ficaram bem expostas. 


Conclusão 
A medição de luz das câmaras modernas é bastante avançada e, na maior parte das vezes, não necessitamos de recorrer à compensação da exposição. No entanto, como podes ver, existem situações em que a medição da câmara não é a ideal e nós, como bons fotógrafos que somos, temos de saber dar a volta à situação! :) 
A câmara é apenas uma ferramenta e temos de a dominar a 100% para conseguirmos tirar as fotos como as idealizamos, independentemente da situação.

 

Equlibrio de Brancos:

O nosso cérebro tem de conseguir compensar as características da luz ambiente de forma a vermos correctamente as cores.
Por exemplo, quando entramos na nossa sala iluminada com uma lâmpada incandescente (luz amarelada) e olhamos para a parede que sabemos que é branca, o nosso cérebro automaticamente faz a compensação das cores de forma a vermos a parede branca.
Sem este ajuste veríamos a parede num tom mais amarelado devido à propriedade quente da luz proveniente da lâmpada incandescente.

Por ser um fenómeno que nos passa despercebido, não lhe damos muita importância.
Infelizmente as nossas câmaras não conseguem fazer esta compensação de uma forma tão precisa como nós. Embora tenham a opção de calcular o equilíbrio dos brancos automaticamente, muitas vezes verificamos que essa compensação não está correcta.
Nas imagens abaixo podemos ver como uma leitura incorrecta pode influenciar drasticamente uma fotografia.

Configurar o equilíbrio dos brancos na câmara 

As opções variam um pouco entre marcas e modelos mas resumem-se basicamente às seguintes: 

lcd camara fotografica


icon Automático 
A câmara escolhe automaticamente a compensação de cor baseando-se na sua leitura das condições de luz. Funciona relativamente bem mas em alguns casos faz leituras bastante erradas. 

icon Personalizado 
Com esta opção é possível configurar a compensação da cor manualmente. Em muitas câmaras isto é feito apontando a câmara para um objecto branco fornecendo-lhe, assim, um ponto de referência. 
Para mais detalhes aconselho-te a ler o manual de instruções. 

icon Luz do dia 
Para usar em dias de céu limpo. 

icon Nublado 
Como a própria imagem indica, para usar em dias nublados. 

icon Incandescente 
Deve ser usada em interiores iluminados com lâmpadas incandescentes. 

icon Fluorescente 
Compensação para iluminação com lâmpadas fluorescentes. 

icon Flash 
Este modo está configurado para compensar a variação na cor provocada pelo flash da câmara. 


Ou então... configurar depois! 
Acertar com o equilíbrio dos brancos na altura de tirar a foto nem sempre é simples. Além disso, muitas vezes só reparamos que as cores estão desequilibradas quando chegamos a casa e vemos as fotografias no computador. 

O segredo aqui está em configurar a câmara para gravar as imagens em RAW em vez de JPEG (infelizmente não é possível em todas as câmaras). Brevemente irei escrever um artigo sobre este formato mas posso dizer já que nos dá uma versatilidade muito maior na hora de editar as imagens. 

Uma das vantagens de fotografar em RAW é, precisamente, poder editar o equilíbrio dos brancos no computador sem ter implicações na qualidade da imagem. Usando um conversor de RAW podemos corrigir as cores independentemente do modo de equilíbrio dos brancos que tínhamos escolhido no momento em que tiramos a fotografia. 

 


 

Fontes:

 

Workshop Intensivo de Cinema Digital
tel: (+351) 916685907
website: http://www.arte-digital.org/workshops
facebook: https://www.facebook.com/workshopcinema
youtube: http://www.youtube.com/user/workshopcinema